Tratado do Amor

O amor...
parece coisa difícil de se encontrar;

Talvez por isso se fale tanto do amor;
A tal ponto que a paixão já se tornou o vício das pessoas.

Aos poucos as pessoas se acostumam à chama doentia que a paixão tem,
E acabam por acreditar aquele ser o seu amor, o amor à paixão.
Viver o outro como chama em si.

Mas como toda chama necessita de brandura - e as pessoas mal são capazes de regar e regrar o seu bonsai -, acabam por perdê-la.
O amor se perde pela explosão da chama.


Enquanto o acender é da paixão,
A chama acesa - dedicada e compassiva - só pertence ao verdadeiro amor.
Aquele que não poupa esforços para se manter aceso.

Mas em seu estado livre – até dos contos de fadas - pra que faça sentido,
as duas pessoas têm que estar envolvidas.

Iniciados pela explosão da paixão, que cada um despertou no outro,
têm a força e formam a chama branda e compassiva que é o amor.
E isso é uma dádiva!

À partir da consciência da chama,
tem-se que respeitar sua força e seu movimento.
Com ela, é preciso aceitar o presente e caminhar!
“tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”


Mas agora,
só não venha me falar de combustível...
Pois onde há a dúvida, deve haver a explicação:
Manter a chama acesa é um exercício mútuo; mas o combustível é individual.
Sem medo nem desconfianças, ambos entregues ao amor.
Garantidos pelo que eles formam juntos!

O equilíbrio interior garante uma estabilidade necessária para a sintonia,
que é a compreensão: base sólida onde repousa o amor.


Talvez eu acredite mesmo que seria possível amar qualquer pessoa,
desde que os problemas de outrem não virem meus sacrigélios.
O que já é desconsíderável desprezar.

Há os capazes e os incapacitados disso.

Mas sendo franco: O amor não é uma dor!

O melhor encaixe do amor é o harmônico.
Como na música, não é para tocar o mesmo instrumento nem as mesmas notas.
Mas basta criar uma harmonia para persuadir a quem dê ouvidos.


Tem os que dizem que a conturbação - o movimento dos sentimentos - é que fortalece a união.
Esses são os que, por vezes, se esquecem da chama,
e sua jornada que era deixa-la acesa transforma-se em constantemente tentar reacendê-la.

Sendo que agora, nenhuma vez pode ser a primeira novamente.
E a realidade, que todas as experiências somadas ainda deixam dúvidas...
De tudo, nada foi edificante o suficiente para repousar o amor.

É uma pena, porque quem faz experimentos, experiente o bastante ainda não o é.

O experimento seria o impulso por ver a experiência;
e em chamada de uma oportunidade, o sabido acontecer.
Só que aí se carregam fardos.


Deixando minha hipótese e hipocrisia de lado...

...mas fazendo um plano comparativo,
esse amor não é nada senão o ensaio do mesmo amor que deve se firmar na família.

É o objetivo, onde ele vai transformar duas pessoas em uma só união.
Livres para caminharem juntos!

É que no começo,
como curso natural de aprendizagem que a vida dá,
tudo isso de uma vez seria mais difícil ainda de se lidar.
Já que nos é realmente difícil aceitar,
que somente temos sentimentos puros; porém, somos pecadores.

Está tudo descrito em um só Ser,
mas gostamos de destrinchar tudo pra entender.

E até o sentimento que move todos os outros no mundo,
o amor, é compreensível ao lado Dele.

Logo, a mesma inpiração que o amor de casa tem,
o amor de Deus ampara.

São as boas inspirações para as boas finalidades.

Um trecho do que aconteceu no meu dia; um trecho do meu livro da vida

Acabei de esbarrar um pai de família - assim suponho - com idade suficiente pra já ter 3 ou 4 filhos; careca e com cara de advogado. Terno azul, camisa branca e gravata vermelha.

Na estação, enquanto abriam-se as porta do metrô:
Ele tirou sua caneta montblanc - porque pra um jovem como eu todas as canetas chics são estilo montblanc -;
Eu estava com um lápis que eu tinha ganhado num nhotel, vários diga-se de passagem.

Ele anotou com um ponto da caneta onde havia parado sua leitura no caderno de economia do jornal;
Eu, após ler que Arturo Bandini foi chamado pelo amor de sua vida de: um viadinho, só sabe fazer poesia.

Honrado de mim mesmo, saí do vagão marcando com um risco a frase no livro de John Fante.

Orgulho é um pai presentear o filho com tal texto...

Pra quem não sabe, meu filho mora no Rio de Janeiro,
ele estuda e trabalha, vive ocupado o dia inteiro.
O povo me deixa assustado, quase entro em desespero,
ele tá bem guardado, nosso Deus é verdadeiro.
Ele ajuda as pessoas, não faz o que faz pelo dinheiro,
todos já se acostumaram com esse grande mineiro.
Não vai na igreja, mas não esquece o bom conselho,
tudo é vaidade, o mundo é passageiro.
Não usa drogas, não sente nem o cheiro,
disso eu me orgulho, meu filho é um espelho.
Gosta de montanha, é um eco escoteiro,
curte música, ler e objetos bem maneiros,
coisas diferentes vindas do estrangeiro.
Quando ele viaja, liga pra mãe primeiro
diz onde foi, pra onde vai, e o seu paradeiro.
Tem saudade de casa, mas luta que nem um toureiro,
deixa pra chorar, cantando no chuveiro.
Quando vem traz presente; é um grande companheiro.

Escrito pelo meu pai, Donizete Maciel.